10 anos após Lei do Saneamento, setor ainda atrai pouco investimento


Apenas 316 cidades (5% dos municípios) contam com empresas privadas de água e esgoto. Ritmo de investimentos setor pode ganhar impulso com programa de privatização do BNDES.

Passados 10 anos da criação da Lei 11.445, conhecida como a Lei do Saneamento, os investimentos em água e esgoto pouco avançaram, recebendo volumes de recursos abaixo das necessidades do país e com uma participação ainda tímida do setor privado.
Num país em que metade da população não tem acesso à coleta de esgoto, o saneamento permanece como o setor de infraestrutura com o menor volume de investimentos no Brasil. Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o segmento recebeu menos de 10% do total de gastos em obras de infraestrutura feitos no país entre 2007 e 2014, bem atrás de áreas como transportes, telecomunicações e energia elétrica.

Segundo analistas e agentes do setor de saneamento ouvidos pelo G1, ainda que o setor demande um maior número de linhas de financiamento, é necessário maior "vontade política" para tratar o assunto como prioritário e fazer com que sejam cumpridos pontos já regulamentados pela lei.

Um deles é a obrigatoriedade de elaboração de planos municipais de saneamento básico (PMSB) – ponto de partida para qualquer planejamento de longo prazo para universalização dos serviços de água e esgoto. A data limite para as prefeituras cumprirem a exigência deveria acontecer no final de 2015, mas foi adiada para até 31 de dezembro de 2017.

"A lei veio nortear e dar amparo legal para as empresas que operam com contratos firmados com os municípios, que são o poder concedente. Mas os avanços nos últimos 10 anos foram muito tímidos. Os indicadores de saneamento continuam lamentáveis e pífios", diz o presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), Roberval Tavares. "Hoje, temos mais escolas públicas com acesso à internet do que esgoto coletado e captado nas mesma escolas", compara.

Demanda de investimentos de R$ 300 bilhões

Os valores desembolsados para o avanço do saneamento básico, se descontada a inflação, ficaram praticamente congelados nos últimos anos. Em 2014, o investimento total em água e esgoto foi de R$ 12,2 bilhões, de acordo com levantamento do Instituto Trata Brasil, a partir dos dados do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento), do Ministério das Cidades. Em 2015, segundo dados preliminares, somou R$ 12,7 bilhões. Veja gráfico mais abaixo

Para atingir as metas fixadas em 2013 pelo Plano Nacional de Saneamento Básico para universalizar em 20 anos os serviços de água e esgoto no Brasil, o Brasil demanda investimentos de cerca de US$ 300 bilhões, o equivalente a mais de R$ 15 bilhões por ano. Pelas contas da Abcon, mantido o ritmo atual, a meta de abastecer 100% da população urbana com água tratada e alcançar mais de 90% de domicílios servidos por rede coletora de esgoto só será atingida depois de 2050.

Segundo o Trata Brasil, apenas 36% das cidades investiram nos últimos 5 anos mais de 30% da arrecadação com os serviços de água e esgoto para a expansão ou melhorias do atendimento. A maior parte dos investimentos no setor são patrocinados pelo governo federal. Segundo o Ministério das Cidades, o valor desembolsado passou de R$ 6,54 bilhões em 2014 para R$ 7,44 bilhões em 2015.


A iniciativa privada ainda tem presença tímida no segmento. Segundo dados da Abcon (Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Água e Esgoto), o número de cidades em que a iniciativa privada atua no saneamento, direta ou indiretamente, subiu de 182 em 2006 para 316 em 2016. Isso significa que 5% dos municípios brasileiros ou cerca de 15% da população (cerca de 31 milhões de habitantes) são atendidos por uma empresa privada de saneamento.

Entre 2007 e 2016 foram assinados apenas 76 novos contratos de concessões ou parceria público-privada (PPP), a maioria em pequenos municípios e muitos deles por iniciativa das próprias empresas, que se oferecem para bancar os estudos técnicos pré-edital. As novas operações iniciadas após a Lei de Saneamento representaram menos de 30% do total de 258 contratos firmados com concessionárias desde 1994.

Dos cerca de 1.500 operadores de serviços de água e esgoto no país, pouco mais de 100 são empresas privadas. Embora pela Constituição, o saneamento seja de responsabilidade municipal, os serviços de saneamento permanecem majoritariamente dominados por companhias estaduais (70% dos municípios). As prestadoras públicas locais ou microrregionais respondem pelos outros 25%.

"O que falta (para ampliar os investimentos privados) é o saneamento ser tratado como prioridade de estado, independentes de governos", resume Tavares.

Programa de desestatização do BNDES

O setor privado vê neste momento uma janela de oportunidade para entrar no segmento de saneamento. Com a falência das finanças públicas e uma sequência de crises hídricas há novas oportunidades que podem atrair investidores para o setor, segundo especialistas consultados pelo G1.
Uma das maiores oportunidades é um programa de desestatização de saneamento que está sendo conduzido pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e já teve adesão de 18 estados. No caso do Rio de Janeiro, a privatização da Cedae foi colocada como uma das contrapartidas do socorro financeiro ao estado.

As empresas públicas destes 18 estados atendem a 2,3 mil municípios, prestando serviço a cerca de 90 milhões de habitantes. Destes, 17 milhões não são atendidos com abastecimento de água, 65 milhões não têm acesso a serviços de coleta de esgoto e 74,6 milhões não têm o esgoto tratado.

As companhias e áreas de operação que serão oferecidas à iniciativa privada, assim como a modelagem dos leilões – se serão de privatização, concessão, subconcessão ou PPP – só deverão ser conhecidas após a conclusão dos estudos técnicos, previstos para serem apresentados até o fim do ano.
Apesar da melhora das expectativas para o setor, empresas e analistas avaliam que uma nova rodada de investimentos só deverá vir a partir de meados de 2018, quando forem conhecidos os primeiros resultados dos projetos que estão sendo formatados pelo BNDES com os estados.

Mercado potencial de R$ 120 bilhões por ano

Hoje, o mercado de água e esgoto movimenta um faturamento anual estimado em cerca de R$ 70 bilhões. Desse total, apenas cerca de 10% está nas mãos de empresas privadas, que fizeram investimentos da ordem de R$ 2,5 bilhões em suas áreas de concessão em 2015 ou o equivalente de 20% do total feito em saneamento no país. Segundo a Abcon, o total contratado pelas operações privadas é de R$ 33,18 bilhões, dos quais R$ 12,57 bilhões estão previstos para serem investidos entre 2015 e 2019.

A avaliação do mercado é que a fatia nas mãos de operadores privados tem potencial para avançar a 30% caso o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal saia do papel, assim como a exigência de elaboração de planos municipais de saneamento básico (PMSB) por parte das prefeituras.

Segundo Carlos Henrique da Cruz Lima, diretor de Planejamento do Grupo Águas do Brasil, uma das maiores empresas privadas do setor com 14 concessões e operações em cidades como Niterói e Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, a receita potencial com a universalização dos serviços de água e esgoto no Brasil é da ordem de R$ 120 bilhões por ano. "Esse é um número que, convertido em qualquer moeda no universo, atrai investidores. O que faltam hoje são projetos", afirma o executivo.

As empresas que atuam no mercado avaliam que o momento é favorável também para novas parcerias público-privadas no âmbito dos municípios, em função da posse de novos prefeitos e da crise fiscal que atinge estados e municípios.

"A grande novidade é a entrada do BNDES com recursos para contratar estudos, porque cada município tinha que dar uma solução para o saneamento e nem todos dispõem de corpo técnico capacitado ou orçamento para desenvolver estudos técnicos e projetos", diz Hamilton Amadeo, presidente da Aegea, grupo que opera concessões em 45 cidades, incluindo Campo Grande (MS), Piracicaba (SP) e Vila Velha (ES).

A lista de potenciais interessados em avançar no mercado privado de saneamento inclui a GS Inima Brasil – subsidiária do grupo sul-coreano com concessões em 8 cidades, incluindo Maceió – e a gestora canadense Brookfield, que no final do ano passado fechou a compra do controle da Odebrecht Ambiental, unidade de saneamento do grupo Odebrecht, por US$ 768 milhões.

Outra empresa de saneamento ligada a construtora envolvida na operação Lava Jato que está mudando de controle é a CAB Ambiental, que opera 18 concessões, incluindo a de Cuiabá (MT). Na reestruturação em curso, o grupo Galvão passará a ser acionista minoritário e o controle passará a ser exercido por um fundo de investidores e ex-credores da empresa. "O foco principal agora é arrumar a casa", diz Otávio Silveira, diretor-geral da empresa.

Diante das dificuldades financeiras e do impacto da Lava Jato nos principais grupos brasileiros do setor de infraestrutura, a aposta é que investidores estrangeiros, incluindo franceses, espanhóis e, principalmente, asiáticos deverão ser os principais protagonistas das próximas concessões, ainda que em parcerias com operadores nacionais.

Público x privado

Ainda que a privatização de serviços de primeira necessidade como água e esgoto seja um tema que continua a dividir opiniões, é praticamente consenso entre os agentes do setor de saneamento que, para alcançar mais rápido a universalização, será necessário aumentar tanto os investimentos públicos quanto os privados.

Além do desafio de ampliação da rede, está o de melhorar a qualidade do serviço e a eficiência. Segundo estudo do Trata Brasil, a cada 10 grandes cidades brasileiras, 7 perdem 30% ou mais de toda a água tratada por causa de vazamentos nas tubulações, ligações clandestinas e erros de medição de hidrômetros.

Embora muitas operadoras possam estar sendo mal geridas e administradas, há casos em que a arrecadação com tarifas não paga sequer o custo operacional, o que acaba demandando subsídios diretos ou cruzados, e comprometendo a capacidade de expansão da rede de atendimento.
Os grupos privados avaliam, entretanto, que as tarifas praticadas atualmente pelas companhias estaduais são suficientes para suportar o nível de investimentos necessários e garantir que haja interessados em eventuais leilões de concessão.

"O saneamento é uma das poucas áreas de infraestrutura em que é absolutamente viável fazer os investimentos necessários para a universalização 100% via tarifa", afirma Otávio Silveira, da CAB Ambiental.

"A grande diferença entre as empresas públicas e privadas é que no nosso caso temos metas de cobertura previstas em contrato", diz Carlos Henrique da Cruz Lima, do Grupo Águas do Brasil. "Essa história que quando uma empresa privada entra a tarifa triplica é balela. Passados 18 anos, nossa tarifa em Niterói, onde já temos 92% do esgoto coletado e tratado, ainda é levemente menor do que a da empresa pública que está do meu lado", compara.

Na opinião do presidente da Abes, para o consumidor o que conta é que o serviço seja eficiente. "Ser público ou privado pouco importa. O que falta é o saneamento ser tratado como prioridade. As empresas públicas não podem simplesmente ser usadas como moeda de troca em renegociação de dívidas."

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Decaptação de detentos em Manaus

Os 60 detentos mortos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, foram executados logo nas primeiras horas do confronto entre facções na tarde de domingo. É o que avalia o juiz titular da Vara de Execução Penal do Tribunal Justiça do Amazonas (TJ-AM), Luís Carlos Valois, que acompanhou e comandou as negociações juntos aos presidiários ainda na noite de domingo.

Valois que chegou ao local da rebelião por volta das 22 horas – horário Manaus – disse ter entrado em estado de choque com as imagens dos corpos esquartejados, empilhados, mutilados e decapitados.

Familiares de detendos se aglomeram em frente ao Instituto Médico Legal de ManausCaminhão frigorífico será utilizado para retirar corpos de presídio em Manaus

— Pilhas de corpos espalhadas pelos corredores, membros esquartejados nos cantos e muitas cabeças decapitadas no local. O chão estava lavado de sangue. Nunca vi nada igual na minha vida. aqueles corpos e o sangue ainda estão nítidos na minha cabeça. Ainda estou em choque — relatou.

As imagens divulgadas extraoficialmente e que circulam pelas redes sociais mostram cenas de terror dentro do presídio. Pilhas de corpos em carrinhos e no pátio são as cenas mais comuns.
Valoais caracteriza as 60 mortes como uma carnificina. Para ele, durante as negociações ficou claro que não se tratava de uma rebelião por melhorias no sistema prisional, mas de uma disputa entre grupos por poder.

— Quando cheguei lá os assassinatos já haviam acontecido. Já participei de várias rebeliões, negociando diretamente com os presos e sempre tem reivindicações para melhoria de alimentação, superlotação e celeridade no processo de julgamento.

Mas dessa vez as reivindicações não tinham força. Parecia que eles estavam apenas usando essas argumentações para ganhar tempo. A matança já havia acontecido. Ficou clara a disputa de poder entre os grupos. Matar 60 pessoas não justifica qualquer reivindicação.

Para o juiz, o número de mortes podia ter sido maior. Na avaliação dele, a entrada do Grupo de Choque podia ter levado vidas de detentos do semiaberto que não participaram do motim.
— Os presos do regime fechado invadiram o semiaberto e tomaram conta de todo o complexo. O número de mortos podia ter sido maior.

Felizmente, houve uma negociação eficaz e conseguimos evitar a morte de detentos do regime semiaberto que não participavam da rebelião. Uma de nossas primeiras exigências foi que eles se retirassem desse complexo e retornassem para o regime fechado — contou.

O motim, segundo Valois, terminou por volta das 23 horas, mas os detentos acordaram em liberar a entrada da polícia só a partir das 7h desta segunda-feira.


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Terroristas Atacam em Berlim Videos Exclusivo mostra pessoas no chão

caminhão invadiu uma feira de Natal nesta segunda-feira (19) em Berlim, na Alemanha. Segundo a polícia, há nove mortos e "muitos feridos". De acordo com a rede CNN, são mais de 50 pessoas feridas.

Um porta-voz da polícia informou que uma pessoa foi presa perto do parque Tiergarten, suspeita de ser o motorista do caminhão, e que outra pessoa que estaria no caminhão morreu no local.

Ainda não está claro por que o caminhão saiu da avenida em que estava e entrou na área da feira, que acontece na praça Breitscheid, perto da avenida Kurfürstendamm, na parte Ocidental de Berlim.

Um vídeo postado pelo jornal "Berliner Morgenpost" em sua página no Facebook mostra pessoas no chão, objetos destruídos no local e o caminhão danificado. A polícia está na cena. O caminhão entrou na feira por volta das 20h locais (17h, no horário de Brasília), quando muitos turistas e moradores faziam compras.

A agência de notícias dpa afirma que foi informada pela polícia que o caso está sendo tratado como um ataque. Mas a informação ainda não foi confirmada oficialmente.

A polícia de Berlim pediu que os moradores fiquem em casa, deixem as ruas da região livres e não espalhem rumores.

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Texto-base da PEC do teto de gastos é aprovado em 2º turno no Senado

Numa sessão tumultuada, o Senado aprovou nesta terça-feira (13), em segundo turno, o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece um teto para os gastos públicos para os próximos 20 anos (veja detalhes da proposta abaixo). O texto foi foi aprovado por 53 votos a favor e 16 contra. Eram necessários 49 votos para a aprovação (3/5 da quantidade de senadores).
VEJA COMO VOTOU CADA SENADOR
Após aprovarem o texto-base da PEC, os senadores começaram a analisar destaques (propostas de alteração no texto) apresentados na sessão.
A PEC já havia sido aprovada em primeiro turno pelo Senado, por 61 votos a 14, em 30 de novembro. Mas, por se tratar de uma mudança na Constituição, o texto ainda precisava passar por uma segunda votação.
A proposta foi enviada pelo Palácio do Planalto ao Congresso em junho e é considerada por governistas como essencial para o reequilíbrio das contas públicas, ao lado da reforma da Previdência.
Por outro lado, senadores da oposição chamam a proposta de “PEC da maldade” porque, na visão deles, a medida vai congelar investimentos nas áreas de saúde e educação, o que é negado por governistas.
Os oposicionistas citaram pesquisa Datafolha, divulgada pelo jornal “Folha de S. Paulo”, que diz que 60% das pessoas ouvidas pelo instituto é contra a PEC do teto.
Protestos contra a medida foram registrados em sete estados do país. Em Brasília, a Polícia Militar fechou os acessos ao Congresso Nacional.

A PEC estabelece as seguintes regras:

- As despesas da União (Executivo, Legislativo e Judiciário e seus órgãos) só poderão crescer conforme a inflação do ano anterior;
- A inflação para 2017, que servirá de base para os gastos, será de 7,2%;
- Nos demais anos de vigência da medida, o teto corresponderá ao limite do ano anterior corrigido pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA);
- Se um poder desrespeitar o limite, sofrerá sanções no ano seguinte, como a proibição de realizar concursos ou conceder reajustes;
- Se um poder extrapolar o teto, outro poder deverá compensar;
- Os gastos com saúde e educação só serão enquadrados no teto de gastos a partir de 2018;
- Com relação aos gastos mínimos em saúde, o texto prevê que passem em 2017 dos atuais 13,7% para 15% da receita corrente líquida (somatório dos impostos descontadas as transferências previstas na Constituição). E que, a partir de 2018, esses investimentos se enquadrem no teto de gastos, sendo corrigidos pela inflação.
- Ficam de fora das novas regras as transferências constitucionais a estados e municípios, além do Distrito Federal, os créditos extraordinários, as complementações do Fundeb, gastos da Justiça Eleitoral com eleições, e as despesas de capitalização de estatais não dependentes;
- A partir do décimo ano de vigência do limite de gastos, o presidente da República poderá um projeto de lei ao Congresso para mudar a base de cálculo.

Debates

Adversários do Palácio do Planalto protagonizaram bate-bocas com governistas durante a sessão. Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, por ter realizado três sessões em único dia para viabilizar a votação da PEC nesta terça.
O peemedebista negou que estivesse “atropelando” e lembrou que Lindbergh participou de reunião que acordou o calendário de votação. Já Fátima Bezerra (PT-RN) e José Medeiros (PSD-MT) trocaram ofensas durante debate da proposta.
Defensor da proposta, o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) afirmou em plenário que a medida é necessária para a recuperação da crise econômica. Ele rebateu acusações da oposição de que os investimentos em saúde e educação serão reduzidos com a implementação da PEC.
“A medida proposta pelo governo deixa claro os valores mínimos que devem ser investidos em saúde e educação”, disse. “Nada impede que o governo gaste mais que a inflação nessas áreas, mas, para isso, terá que cortar de outro lugar”, completou.
Parlamentares da oposição, por outro lado, argumentam que a PEC trará consequências negativas à população, principalmente aos mais pobres, com cortes de gastos saciais e serviços públicos.
Senadores do PT foram além das críticas à proposta e, quatro dias após a divulgação de informações de delação de ex-executivo da Odebrecht, também pedem a renúncia do presidente Michel Temer e a convocação de eleições diretas.
“Falta a ele [Temer] e ao seu governo condições políticas para continuar governando”, afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE).
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Entenda o a lei que legaliza o aborto

A maioria da primeira turma do STF (Supremo Tribunal Federal) firmou o entendimento, nesta terça-feira (29), de que praticar aborto nos três primeiros meses de gestação não é crime. Votaram dessa forma os ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Edson Fachin.

A decisão é sobre um caso específico, em um habeas corpus que revogou a prisão preventiva de cinco pessoas que trabalhavam numa clínica clandestina de aborto em Duque de Caxias (RJ), mas pode ser considerada um passo à frente na descriminalização do ato, desde que no início da gravidez.

Embora a decisão tenha se dado em um caso específico, outros magistrados, de outras inst'ncias, poderão, a seu critério, adotar o entendimento da primeira turma do STF.

O relator, ministro Marco Aurélio, já havia concedido liminar em 2014 para soltar os cinco médicos e funcionários da clínica fluminense. Seu fundamento era que não existiam os requisitos legais para a prisão preventiva (como ameaça à ordem pública e risco à investigação e à aplicação da lei). Nesse processo, nenhuma mulher que praticou aborto na clínica foi denunciada.

Em agosto deste ano, quando foi a julgamento o mérito do habeas corpus, Barroso pediu vista. Em seu voto, nesta terça, ele concordou com a revogação das prisões pelos motivos apontados por Marco Aurélio, mas trouxe um segundo fundamento. Para ele, os artigos do Código Penal que criminalizam o aborto no primeiro trimestre de gestação violam direitos fundamentais da mulher.

As violações são, segundo o voto de Barroso, à autonomia da mulher, à sua integridade física e psíquica, a seus direitos sexuais e reprodutivos e à igualdade de gênero. "Na medida em que é a mulher que suporta o ônus integral da gravidez, e que o homem não engravida, somente haverá igualdade plena se a ela for reconhecido o direito de decidir acerca da sua manutenção ou não", escreveu o ministro sobre o direito à igualdade de gênero.

"O direito à integridade psicofísica protege os indivíduos contra interferências indevidas e lesões aos seus corpos e mentes, relacionando-se, ainda, ao direito à saúde e à segurança. Ter um filho por determinação do direito penal constitui grave violação à integridade física e psíquica de uma mulher", afirmou também o ministro.

Além disso, segundo Barroso, a criminalização do aborto causa uma discriminação contra as mulheres pobres, que não podem recorrer a um procedimento médico público e seguro, enquanto as que têm condições pagam clínicas particulares.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso]   O ministro Luís Roberto Barroso em sessão do STF em março deste ano


Ainda de acordo com o voto de Barroso, que foi acompanhado por Weber e Fachin, os principais países democráticos e desenvolvidos, como Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Canadá, França, Itália, Espanha, Portugal e Holanda, não criminalizam o aborto na fase inicial da gestação. O prazo de três meses foi tirado da comparação com esses países.

Os dois outros ministros da primeira turma, Marco Aurélio e Luiz Fux, não se manifestaram sobre a descriminalização do aborto no início da gravidez. No caso específico, eles também votaram pela revogação das prisões preventivas, com base apenas na ausência dos requisitos legais para mantê-las.

Barroso destaca, em sua decisão, que o aborto não é algo bom, e que o papel do Estado deve ser evitá-lo, mas com educação sexual, distribuição de contraceptivos e apoio às mulheres que desejarem manter a gravidez, mas que não tenham condições.

O que foi julgado na primeira turma foi um habeas corpus para reverter a prisão preventiva dos cinco acusados. O mérito desse caso continua a ser julgado na Justiça do Rio.

No próximo dia 7, o plenário do Supremo julgará a possibilidade de aborto em casos em que mulher for infectada pelo vírus da zika.

Em 2012, a corte decidiu, por 8 votos a 2, que a interrupção de gravidez no caso de fetos com anencefalia comprovada não é crime. Na ocasião, Barroso, que ainda não era ministro, advogou a favor da descriminalização.

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Ultimo diálogo entre Torre de controle Aéreo e Avião do chapecó

Miguel Quiroga, piloto da companhia aérea LaMia, que levava o time da Chapecoense, disse à torre de controle que enfrentava “problema de combustível”, instantes antes da tragédia que matou 71 pessoas, no dia 29. Escute aqui a gravação da conversa entre o piloto e uma controladora de tráfego aéreo do aeroporto de Medellín, na Colômbia. Ao longo de dez minutos, a conversa rotineira, costumeira na aproximação da pista, torna-se tensa. O piloto da LaMia pede prioridade para pousar e logo depois informa que já está descendo, por não poder esperar. Abaixo, a tradução de trechos do diálogo:

Ouça o Áudio completo na Integra 



Ultimo diálogo entre Torre de controle Aéreo e Avião do chapecó


Miguel Quiroga, piloto do avião da Chapecoense: “O voo LaMia CP2933 em aproximação. Solicitamos prioridade para a aproximação, pois enfrentamos um problema de combustível”.

Yaneth Molina, controladora de tráfego na torre do aeroporto: “Entendo. Solicita prioridade para sua aterrissagem por problema de combustível. Correto?”

Avião da Chapecoense: “Afirmativo”.

Torre: “Ok. De acordo. Lhe darei instruções para efetuar a aproximação. Em aproximadamente sete minutos iniciarei a confirmação”.
Torre: “Tenho uma aeronave abaixo de você, efetuando a aproximação, além de sermos afetados por uma revisão de pista. Quanto tempo tem para permanecer em sua aproximação, LaMia?”
Avião da Chapecoense: “Com emergência de combustível, senhorita. Por isso lhe peço de uma vez um trajeto final”.

Torre, para outro avião: “Avianca 9356... Inicie a aproximação agora”.

Outro avião: “Iniciando a aproximação agora”.

Avião da Chapecoense: “Solicito descida imediata”.

Torre: “LaMia 2933, você pode efetuar um desvio à direita para iniciar uma descida? Há tráfego 1 milha abaixo de você”.
Avião da Chapecoense: “Solicitamos nos incorporar de uma vez a outro vetor”.

Torre: “Tem trânsito a sua frente, a 18.000 pés”.

Torre: “Atentos, LaMia 2933. Continue a aproximação. Pista úmida. Precisa de alguma assistência na pista?”.

Avião da Chapecoense: “Lhe confirmaremos a assistência em pista”.
Avião da Chapecoense: “Senhorita, LaMia 2933 está em falha total, sem combustível”.
Torre: “Está livre e esperando chuva sobre... Bombeiros estão alertas”.
Avião da Chapecoense: “Vetores, senhora! Vetores!”.
Torre: “O sinal do radar se perdeu. Não tenho você. Notifique o rumo agora”.

Avião da Chapecoense: “Rumo 3,6,0. Rumo 3,6,0”.
Torre: "Você está a 8,2 milhas da pista”.

Avião da Chapecoense: “Jesus!”.

Torre: “Você disse o que agora?”.

(Vozes masculinas na torre de controle): “Não responde”. "Não". "Já caiu. Já caiu".
Torre: “Qual sua altitude agora?”
Fim do contato.
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